Monday, December 26, 2005

Por maldade, ou talvez não

Por maldade, ou talvez não, o óvulo é a maior célula do corpo humano - feminimo entenda-se!

Sobre o vale de Ritinha, fundo-escuro-como-mundo, debatia-se o espermatozóide A1002127, orientado pelo cheiro, como se de um insecto se tratasse, irremediavelmente perdido pelas feromonas que o chamavam!... Aquele óvulo, gerado ainda Rita era um embrião de um tamanho de um feijão, no utero de D. Madalena, estava-lhe guardado e, num truque do destino, tinha ficado armadilhado pelas suas feromonas.

Fazia 25 anos que R117 esperava ansiosamente pela sua cara-metade genética, de um passado incerto escarrado num qualquer penso higiénico, tinha agora, entre moléculas de controlo, um futuro radioso para escrever.

Ele nadou ansiosamente, activamente, desperadamente, cego, mas direito ao seu óvulo... Não que fosse dificil à menor célula do corpo humano (masculino, entenda-se) encontrar a maior célula do corpo humanao (feminino, entenda-se), mas a competição era muita...1002126 concorrentes, para ser exacto. E aqui, nesta corrida, não há prémio para o segundo!

Chegou exausto,com a energia da ultima molécula de ATP, a alimentar as suas mitocondrias. Resistira à corrida, fora o primeiro a chegar!!! E agora?

Bateu suavemente no poro nuclear, enfiando a cabeça pela abertura entreaberta, e perguntou timidamente - "Carga genética, para o óvulo, 117? R? é aqui?!"

Tipo seringa hipódermica, a injectar sonhos na veia de um incauto perdedor, descarregou a sua carga. Junto ao núcleo de 117R, as duas membranas nucleares desfizeram-se, em castelo, pela obra das cortantes lamínas nucleares.

Agora, cada um dos seus 23 cromossomas,estava fora da sua cápsula espacial, e extendendo a cromatina, em apertado controlo do batalhão de Cyclinas (Cdks), preparam-se para emparelhar, A com T, C com G, como numa dança de cadeira:

ATGCGGAATC
::::::::::::::::
TACGCCTTAG

A festa foi alegre e até teve música. Afinal, o exército das CDks era ... uma banda militar... Ao som dos acordes do controlo, todos os cromossomas se misturaram frenéticamente num crossing-over namométrico. No fim, já cansados, preparam-se para um novo ser, para SER!

A meiose, estava a chegar!...

Enviado por St&Co. como comentário.

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