Friday, December 02, 2005

António

Depois há o papel. Um pequeno pedaço sofrido, rasgado. Foi a miúda que o deixou de cair quando embateu na minha perna.

'Os meus sonhos são MEUS... mas apenas enquanto a noite é infinita. Na alvorada escondem-se, não os recupero, são peças do meu puzzle que não volto a rever ou revejo noutras cores? Não me lembro... Os únicos que resistem são os que ganham vida quando estou acordada, e esses encontram-me sempre, mesmo depois de 1001 noites, não os perco… mas alguns talvez devesse.´
Maria do Mar


Será para mim? Uma mensagem? Não sei, mas gostei como ela me toucou. É pena que havia gesso entre nós. Mas uma camadinha de nada não abafa da emoção do primeiro toque.

Hoje vai cá o António e quer sair comigo. Eu disse-lhe que tenho a perna em gesso, mas ele não abandona facilmente as suas ideias. Ele diz que não preciso de andar muito. Pediu-me para preparar as cadeiras de praia e a minha câmara de vídeo. Anda obcecado com uma ideia para o concurso de oneminute. Isto é um concurso de curtas-metragens aberto a qualquer um, onde os filmes têm de ter um minuto de duração. Ele diz que conhece um cruzamento onde todas as noites de sexta ou de sábado há acidentes aparatosos, diz que vamos acampar à espera dos gajos. E quando batem, nós atacamos com a câmara em punho. Eu disse que isto vai acabar mal. É que estes gajos são os de tunning e que provavelmente não gostam ter audiência quando destroem as suas criações. Ele disse que tem tudo controlado. Bem, sobre as situações que o António diz que controla, podia contar muitas histórias. Disse-me também para preparar o termo com Glühwein. É uma espécie de vinho cozido com especiarias e com açúcar. Gosto. Estão tocar na campainha, deve ser o António.

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