Thursday, December 22, 2005

Polvo?

A célula mais pequena do corpo humano é o espermatozóide. Tendo os tomates bem frescos, produzimos uns 1000 bicharocos destes por segundo. Pelo frio que estava na rotunda, a minha taxa de produção deveria estar a dobrar. A cadeira de praia, que montei no topo das escadas que elevam o monumento, não ajudava guardar o pouco calor que me restava. Para me confortar, e para desacelerar a fabricação da bicharada, enterrei o termo do Glühwein entre as minhas pernas e desapertei a tampa. O cheiro do vinho quente com especiarias fez as estrelas brilharem mais alto e, simultaneamente, convenceu-me que a minha decisão estava certa. Esta noite não era para passar no gingance do Bairro, mas sim cá na rotunda, sozinho. Aproveitando a ausência de Antónios, Ritinhas e outra gente estranha que se agita com o fim macabro do louva-a-deus macho que foi, literalmente, comido pela sua miúda, submergi na bruma das minhas memórias. Deve ter sido o vinho e a crescente pressão nas partes baixas que me fizeram lembrar no polvo. Animal pouco atraente mesmo para os mais atrevidos. (e nisso, penso, até o Marquês de Sade (1740-1814) estaria de acordo) Contudo, o caso muda de figura, tanto para nós como para o animal, se o polvo estiver cozido. Trata-se um polvo grande, diga-se passagem. Polvos grandes têm ventosas grandes, conchas perfeitas para albergar a língua de qualquer gourmet. A sensação de enfiar a lingua na ventosa de um polvo (cozido) é ambígua, por um lado é tranquilizante, o típico estou-em-casa-estou-seguro sensação mas, por outro lado, é inquietante... De repente as ventosas do polvo transformaram-se num umbigo. Feminino. Franzido. Franzido? Sim, franzido. Quem é que, no seu perfeito juízo, tem um umbigo franzido? Não tenho tempo para responder a pergunta porque o umbigo transforma-se numa boca de mil dentes-facas a rasgar a minha carne. Tento tapar a ferida infinita, mas o sangue escorre pelas minhas pernas. Sangue? Oh, merda, entornei o termo. Estou lavado em vinho quente. Está na hora de ir para casa.

1 Comments:

Blogger mecoto said...

E agora Herr Reich, was saght ihren Theorie?

7:26 PM  

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