Tuesday, April 18, 2006

Cirros

Aqueles silêncios que são infinitos cortam-nos em fatias. Fatias finas da grossura de um átomo, que flutuam mudamente. Quando duas fatias se encontram entrelaçam-se sem aparente ordem ou princípio organizador. Criam-se permanentemente enormes superfícies de fatias humanas. Há quem os chame cirros ou cirrostratos. Errado. Nada têm a ver com as nuvens. Têm a ver com o imenso silêncio que existe no mundo. E essa é a verdade.

Não me procures mais...

Não me procures mais, para de percorrer com o olhar as ruas, o parque de estacionamento. Deixa o vai e vem , de St.ª Apolónia as caras desconhecidas de quem corre, sabe lá para que. Estou aqui, na tua sombra!Caminho contigo, sombra a sentir pele, no teu andar ando, sou a tua sombra deslizante.Joana, sorri, eu estou aqui, não me procures, estou em ti.As tuas botas chapinham e molham-me, sorrio, á quanto tempo não sorria, cheiras a vento fresco, ao mar das Berlengas, a sonhos.

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Encontrei-te, Jo!

Encontrei-te, Jo!Aqui no meio das folhas da Primavera, entre os muros frios do Museu da Marinha, é manhã, nas arcadas escorre o frio da noite e do Tejo vêm o bafo podre do rio desvirginado.Jo, deixaste-me, esqueceste-te de mim no meio dos papéis desarrumados do teu quarto.Perdi-me de ti em ti. Como o poema que fizeste para o António – “Como o sol e a Lua, estamos sempre separados”.Cruzei Lisboa matando o tempo com 130k de Ritinha, com pombos mortos a arrastar na memória.Agora aqui parado á tua frente, perco todas as lutas que me tornaram XXX, estive em todas as tuas aulas, tu estás em todos os meus sonhos.Paro o meu olhar no teu, Jo isto é o desejo, o sonho a loucura. Dos meus lábios gretados tenho uma voz muda que não sai, fixo-me no castanho dos teus olhos.Um carro trava com força e desvias o teu olhar, aproveito o momento e integro-me na tua sombra, agora, mais que nunca estou em ti!

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